Após um breve intervalo, passamos próximos de uma hecatombe nuclear no Japão, o massacre de Realengo, o casamento de Priwil e Lady K e também a morte do homem mais procurado pelos Estados Unidos em um atentado terrorista de Estado.
A Indústria Cultural e a lógica do poder nunca cessam de nos espantar, assim como a ironia da História e a falta de aprendizado da Humanidade com o processo histórico. Quando Saladino tomou Jerusalém do domínio cristão, antes de perpetrar o terrível ataque, ofereceu ao rei cristão, que sofria de lepra, seus médicos para aliviar as terríveis dores que sentia.
O que diferencia a civilização da barbárie são suas ações. Os Estados Unidos, ao matarem Bin Laden, continuam a negar seu papel civilizatório e reproduzir a barbárie e o discurso da guerra. A Humanidade distancia-se cada vez mais de uma civilização planetária para tornar-se uma barbárie planetária. Todos os argumentos, sensacionalismos, propagandas e os exercícios de poder não conseguem justificar o óbvio: Bin Laden deveria ter sido julgado pelos seus crimes em Haia, como os Nazistas o foram, crimes contra a Humanidade. Isso seria legítimo.
Discutir questões mundiais como aquecimento global, Palestina, qualidade de vida e sustentabilidade, só é possível através do diálogo civilizado. O mundo ainda vive no bang bang do vivo ou morto. Pobre Humanidade, quantas mortes mais para mudarmos o paradigma?
quinta-feira, 30 de junho de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Obama e a relação entre Brasil e Estados Unidos
Em sua visita ao Brasil, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama durante um de seus pronunciamentos, precisamente no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, disse que a Cinelândia foi palco de várias manifestações ao longo da História recente do Brasil na busca da democracia, citando inclusive a participação de Dilma Rousseff que acabou pagando um alto preço com a prisão e tortura a que foi submetida. Apesar de louvável tal lembrança, esqueceu-se de citar que os Estados Unidos foi o país que articulou e apoiou o Golpe Militar de 1964, golpe esse que foi o algoz de nossa atual presidenta. Sem o apoio norte-americano, dificilmente a junta militar que maculou com muito sangue nossa terra teria ficado 21 anos no poder. O mesmo vale para outras nações latino-americanas como Argentina, Chile, Paraguay e Uruguay.
Apesar de carismático e até bem intencionado, o atual presidente norte-americano é incapaz de reverter uma clara e desproporcional relação entre Brasil e Estados Unidos. Para aqueles que acreditam que um dia o visto de entrada para brasileiros em território americano seja suspenso, digo apenas que isso ocorrerá no dia em que os mexicanos puderem entrar livremente nos Estados Unidos. O muro em construção que separa a fronteira entre México e Estados Unidos nos afiança que este dia está bem longe.
Apesar de carismático e até bem intencionado, o atual presidente norte-americano é incapaz de reverter uma clara e desproporcional relação entre Brasil e Estados Unidos. Para aqueles que acreditam que um dia o visto de entrada para brasileiros em território americano seja suspenso, digo apenas que isso ocorrerá no dia em que os mexicanos puderem entrar livremente nos Estados Unidos. O muro em construção que separa a fronteira entre México e Estados Unidos nos afiança que este dia está bem longe.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Kadafi: mais um triste episódio criado nas trevas da Guerra Fria
Como todos no mundo, observo perplexo o desenrolar dos acontecimentos recentes no mundo árabe, com direito a sequestro de jornalistas, pronunciamentos loucos (para dizer o mínimo) de um ditador há mais de 40 anos no poder, massacres de civis e a lentidão das potências ocidentais frente a um problema de grandes proporções cuja maior preocupação, mais uma vez, é o petróleo.
Uma coisa insiste em perturbar meu sono: boa parte desses ditadores, hoje pintados de inimigos do ocidente, há poucos meses eram considerados aliados do mundo ocidental, notadamente dos Estados Unidos. Foram empossados com o aval da superpotência durante o contexto histórico da Guerra Fria. Eram aliados confiáveis. A máscara caiu e o mundo teme o que pode acontecer, aliás, já está acontecendo: uma guerra civil na Líbia e em outros países árabes.
Leio também no blog de Fernando Gabeira http://blogs.estadao.com.br/fernando-abeira/2011/03/09/os-negocios-de-kadafi-no-brasil/ que o ditador Kadafi possui aproximadamente R$1,2 bilhão investidos no Brasil, principalmente no Vale do Salitre na Bahia, em associação à Odebrecht no Codeverde, Consórcio do Vale do Rio Verde. O Governo Brasileiro vai fazer o que? E a Odebrecht, não vai se pronunciar? Em nome de investimentos, tudo é permitido?
Uma coisa insiste em perturbar meu sono: boa parte desses ditadores, hoje pintados de inimigos do ocidente, há poucos meses eram considerados aliados do mundo ocidental, notadamente dos Estados Unidos. Foram empossados com o aval da superpotência durante o contexto histórico da Guerra Fria. Eram aliados confiáveis. A máscara caiu e o mundo teme o que pode acontecer, aliás, já está acontecendo: uma guerra civil na Líbia e em outros países árabes.
Leio também no blog de Fernando Gabeira http://blogs.estadao.com.br/fernando-abeira/2011/03/09/os-negocios-de-kadafi-no-brasil/ que o ditador Kadafi possui aproximadamente R$1,2 bilhão investidos no Brasil, principalmente no Vale do Salitre na Bahia, em associação à Odebrecht no Codeverde, Consórcio do Vale do Rio Verde. O Governo Brasileiro vai fazer o que? E a Odebrecht, não vai se pronunciar? Em nome de investimentos, tudo é permitido?
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
WIKILEAKS E A LIBERDADE
A quem interessa a não divulgação de dados oficiais do Governo dos Estados Unidos? Com certeza não a população norte-americana e tampouco a democracia. A obra do Wikileaks presta um serviço fundamental para o planeta ao divulgar os diálogos entre embaixadas, as áreas de interesse, negócios na calada da noite, mentiras, enfim, o desnudar do lado podre da política internacional.
Os poderosos do mundo rapidamente criaram uma acusação contra o fundador, Julian Assange, curiosamente, sexual e na Suécia: a suposta prática sexual de Julian com duas mulheres e sem camisinha. Preso na Inglaterra foi condenado a pagar uma multa de mais de 600 mil reais e impedido de deixar o país.
O fato é que há uma cruzada contra o Wikileaks, seus fundadores, sua equipe e quem o acessa. Como toda guerra, o outro lado, representado pela imprensa mundial, cidadãos do mundo e todos que buscam a verdade, lançaram um contra-ataque imediato: Hackers, ao comando planetário de “fogo, fogo, fogo”, derrubaram os sites das empresas que bloquearam as doações e o dinheiro do Wikileaks.
A quem possa interessar, em uma das diversas páginas que citam o Brasil, o governo dos Estados Unidos demonstra um grande interesse pelas terras ao redor de Corumbá (MS) no Pantanal. Entre outros motivos, pelos minérios da região, principalmente o nióbio, mineral que o Brasil produz 80% do consumo mundial.
Estamos vivenciando um momento ímpar e histórico: as novas formas de luta política, cujos princípios são atemporais: justiça, liberdade, felicidade, Utopos, ou seja, toda tentativa de criação de um mundo melhor. Para aqueles que se identificam com esses princípios e que dizem que não há um inimigo evidente, ele sempre esteve aí, e a conseqüência de suas ações em última análise é a doença planetária que vivemos, cujo um dos sintomas é o aquecimento global e outro é a profunda desigualdade social mundial. O Wikileaks ajuda a revelar a face de quem se beneficia com esse estado lastimável de coisas em que nos encontramos.
Os poderosos do mundo rapidamente criaram uma acusação contra o fundador, Julian Assange, curiosamente, sexual e na Suécia: a suposta prática sexual de Julian com duas mulheres e sem camisinha. Preso na Inglaterra foi condenado a pagar uma multa de mais de 600 mil reais e impedido de deixar o país.
O fato é que há uma cruzada contra o Wikileaks, seus fundadores, sua equipe e quem o acessa. Como toda guerra, o outro lado, representado pela imprensa mundial, cidadãos do mundo e todos que buscam a verdade, lançaram um contra-ataque imediato: Hackers, ao comando planetário de “fogo, fogo, fogo”, derrubaram os sites das empresas que bloquearam as doações e o dinheiro do Wikileaks.
A quem possa interessar, em uma das diversas páginas que citam o Brasil, o governo dos Estados Unidos demonstra um grande interesse pelas terras ao redor de Corumbá (MS) no Pantanal. Entre outros motivos, pelos minérios da região, principalmente o nióbio, mineral que o Brasil produz 80% do consumo mundial.
Estamos vivenciando um momento ímpar e histórico: as novas formas de luta política, cujos princípios são atemporais: justiça, liberdade, felicidade, Utopos, ou seja, toda tentativa de criação de um mundo melhor. Para aqueles que se identificam com esses princípios e que dizem que não há um inimigo evidente, ele sempre esteve aí, e a conseqüência de suas ações em última análise é a doença planetária que vivemos, cujo um dos sintomas é o aquecimento global e outro é a profunda desigualdade social mundial. O Wikileaks ajuda a revelar a face de quem se beneficia com esse estado lastimável de coisas em que nos encontramos.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
NOVOS PARADIGMAS, EDUCAÇÃO E INDIGNAÇÃO
Recentemente, as oficinas para os professores da Universidade Anhembi Morumbi suscitaram alguns debates interessantes e enriquecedores, principalmente no tocante ao papel da Educação na contemporaneidade. Parece clara a idéia de que a educação há muito deixou de ser exclusivamente a “educação da razão”, para tornar-se uma pedagogia de todo o ser, dos novos (antigos) saberes, dentre os quais o do corpo e da emoção.
Essa constatação colocou a Educação no debate dos Novos Paradigmas da atualidade, ultrapassando a máxima de uma lógica cartesiana-darwiniana que tanto impregnou diversos campos do conhecimento e do modo de vida das sociedades industriais, cujos valores foram medidos, entre outras coisas, na capacidade individual de enricar e na crença de que a sociedade é “naturalmente” competitiva onde os mais fortes (capazes) vencem.
Felizmente, cada vez mais pessoas em todo o mundo entendem que apenas uma mudança radical no modo de vida da humanidade pode nos dar alguma esperança para vencermos os desafios da contemporaneidade, como o aumento da desigualdade social e o aquecimento global. Essa mudança comportamental global engrossa as fileiras daqueles que se recusam a cooperar com a “mercantilização” das relações sociais. Stéphane Hessel, 93, parece ter conseguido sintetizar esse posicionamento através de um recente panfleto de 32 páginas que tornou-se um livro publicado no final de 2010 na França intitulado “Indignez-vous” (Indignai-vos), que já vendeu 1,3 milhão de exemplares, um convite a não cooperação com a financeirização do mundo.
Para saber mais, sugiro o artigo de Leneide Duarte-Pilon no caderno “Ilustríssima” do Jornal Folha de São Paulo do dia 13 de fevereiro de 2011, intitulado “Hessel, o intocável: o embaixador da indignação”.
Felizmente, não estamos sós.
Essa constatação colocou a Educação no debate dos Novos Paradigmas da atualidade, ultrapassando a máxima de uma lógica cartesiana-darwiniana que tanto impregnou diversos campos do conhecimento e do modo de vida das sociedades industriais, cujos valores foram medidos, entre outras coisas, na capacidade individual de enricar e na crença de que a sociedade é “naturalmente” competitiva onde os mais fortes (capazes) vencem.
Felizmente, cada vez mais pessoas em todo o mundo entendem que apenas uma mudança radical no modo de vida da humanidade pode nos dar alguma esperança para vencermos os desafios da contemporaneidade, como o aumento da desigualdade social e o aquecimento global. Essa mudança comportamental global engrossa as fileiras daqueles que se recusam a cooperar com a “mercantilização” das relações sociais. Stéphane Hessel, 93, parece ter conseguido sintetizar esse posicionamento através de um recente panfleto de 32 páginas que tornou-se um livro publicado no final de 2010 na França intitulado “Indignez-vous” (Indignai-vos), que já vendeu 1,3 milhão de exemplares, um convite a não cooperação com a financeirização do mundo.
Para saber mais, sugiro o artigo de Leneide Duarte-Pilon no caderno “Ilustríssima” do Jornal Folha de São Paulo do dia 13 de fevereiro de 2011, intitulado “Hessel, o intocável: o embaixador da indignação”.
Felizmente, não estamos sós.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
SOBRETAXAÇÃO DE IMPOSTOS: OS RADARES DA CIDADE DE SÃO PAULO
Nesta semana, após a instalação de novos radares na cidade de São Paulo, os carros que não realizaram a inspeção veicular poderão ser multados pelos 177 radares que possuem o sistema de Leitura Automática de Placas (LAP), semelhante àqueles que fazem as leituras das placas dos carros que não cumprem o rodízio. A Prefeitura alega que os recursos arrecadados com as multas (R$ 550,00) irão para um fundo especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o “Fundo Verde”, que investirá em projetos sustentáveis para a redução da poluição e para o transporte.
Algumas coisas nos chamam a atenção em relação às multas de trânsito. Sabemos que muitos desses “serviços” são terceirizados, como a própria “inspeção veicular” realizado pela “Controlar”, uma empresa e, como todas as empresas, visam o lucro. Lembremos que a taxa da inspeção, R$ 56,44, antes era devolvida, agora não é mais. São mais de 6 milhões de veículos a frota da cidade e uma conta rápida nos dá a dimensão dessas cifras. Acrescentemos a esses dados a voracidade da Prefeitura e do Governo do Estado na instalação dos radares, como no caso da recente ampliação das faixas na Marginal Tietê na qual os radares foram instalados antes que as placas de sinalização, causando mais confusões e engarrafamentos no caótico trânsito da cidade.
A quem interessa essa “indústria da multa”? Um “caixa dois” do poder público municipal?
Em Santo André, cidade célebre pelos mesmos motivos, a população indignada colocava nos carros um adesivo sugestivo: “Visite Santo André e ganhe uma multa”. Creio que devemos pensar em adaptar essa frase para São Paulo.
Algumas coisas nos chamam a atenção em relação às multas de trânsito. Sabemos que muitos desses “serviços” são terceirizados, como a própria “inspeção veicular” realizado pela “Controlar”, uma empresa e, como todas as empresas, visam o lucro. Lembremos que a taxa da inspeção, R$ 56,44, antes era devolvida, agora não é mais. São mais de 6 milhões de veículos a frota da cidade e uma conta rápida nos dá a dimensão dessas cifras. Acrescentemos a esses dados a voracidade da Prefeitura e do Governo do Estado na instalação dos radares, como no caso da recente ampliação das faixas na Marginal Tietê na qual os radares foram instalados antes que as placas de sinalização, causando mais confusões e engarrafamentos no caótico trânsito da cidade.
A quem interessa essa “indústria da multa”? Um “caixa dois” do poder público municipal?
Em Santo André, cidade célebre pelos mesmos motivos, a população indignada colocava nos carros um adesivo sugestivo: “Visite Santo André e ganhe uma multa”. Creio que devemos pensar em adaptar essa frase para São Paulo.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
ANO NOVO, VELHOS HÁBITOS: O ESTRESSE
São Paulo, 19000 novos veículos emplacados ao mês, em torno de seis milhões é sua frota. Por detrás de cada motorista, um ser estressado, todos ansiosos, todos atrasados, muitos deprimidos. Somam-se a esse quadro, as chuvas que prenunciam alagamentos e as atividades de final de ano que aumentam o nível de loucura a que é submetido o paulistano, colocando em xeque a máxima de que o brasileiro é cordial. O que vemos, ao menos no trânsito, é uma guerra por espaço, por AUTO-afirmação. Quando esses níveis de desequilíbrio atingem as relações humanas fora do trânsito, de fato temos sérios problemas.
Ansiedade, estresse, depressão. A tríade infernal da patologia moderna que corrói o indivíduo e as relações sociais. Particularmente, alunos e professores sofrem, como todos, tais pressões, porém com o agravante do final de semestre/ano com provas, médias, trabalhos, reclamações, choros e “tome gravata” (Vinicius de Moraes), o que faz da docência, uma das profissões mais desgastantes no ranking do estresse.
Esse quadro, bastante conhecido, é uma realidade difícil de ser transformada em algo mais saudável. Alguém possui alguma sugestão? O humor é uma excelente arma contra essa ditadura do mau humor e rancor, o problema é que quando alguém está com altos níveis dessa doença, o humor é visto e sentido como agressão, causando mais violência.
“Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.”
(Vinicius de Moraes)
Bom final de semestre/ano a todos.
Ansiedade, estresse, depressão. A tríade infernal da patologia moderna que corrói o indivíduo e as relações sociais. Particularmente, alunos e professores sofrem, como todos, tais pressões, porém com o agravante do final de semestre/ano com provas, médias, trabalhos, reclamações, choros e “tome gravata” (Vinicius de Moraes), o que faz da docência, uma das profissões mais desgastantes no ranking do estresse.
Esse quadro, bastante conhecido, é uma realidade difícil de ser transformada em algo mais saudável. Alguém possui alguma sugestão? O humor é uma excelente arma contra essa ditadura do mau humor e rancor, o problema é que quando alguém está com altos níveis dessa doença, o humor é visto e sentido como agressão, causando mais violência.
“Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.”
(Vinicius de Moraes)
Bom final de semestre/ano a todos.
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